Quarta-feira 06/10, dia 10 de Tishrei, KIPUR termina 18h36

16 de set. de 2021

Dia de iom Quipur, Oração de Izcor

KIPUR jejum termina 18h36

IOM QUIPUR -

O dia do Yom Kipur
Para a comunidade judaica do mundo inteiro, este é o dia mais importante do calendário judeu, qualquer que seja o grau de cumprimento dos preceitos religiosos. É um dia de jejum e abstinência dos afazeres físicos e materiais. Neste dia, a reza dura 26 horas, para nos conscientizar no pensamento e no sentimento o que expressamos no dia.

AS LEIS DE IOM QUIPUR

Além das atividades proibidas em Shabat, cinco atividades específicas são proibidas em Iom Quipur,. São elas: comer e beber; perfumar-se, maquiar-se ou untar-se com loções; ter relações conjugais; tomar banho e usar sapatos de couro, e vale a pena lembrar que não podemos lavar a boca e escovar cabelos.

Em Iom Quipur estamos livres de qualquer preocupação material.


Contou o Rebe:


Quando meu Melamed (professor) me ensinou Haazinu ele quis me ensinar o mais importante, o essencial da parashá, e me contou a seguinte história:


“O Rav Moshé Ben Nachman, Haramban, era o professor de Rav Avner. Num dia desses, Rav Avner abandonou o caminho do judaísmo e se converteu para os outros. Ele obteve muito sucesso entre os não judeus e se tornou uma pessoa célebre e até um ministro considerado no seu país. Ele alcançou a cúpula entre os goim. Para mostrar o seu ódio pelos judeus ele enviou um mensageiro para forçar o Ramban a ir vê-lo no meio do dia, em pleno Quipur. Quando este chegou, o Rav Avner mandou matar um porco na sua frente, cozinhou-o e o comeu nesse dia de Quipur, sob o olhar do seu mestre e rabino. O Ramban ficou profundamente decepcionado e triste e perguntou ao seu aluno: “como pudeste chegar a isso, a te converter?” “Foi por sua causa. Seus ensinamentos me trouxeram a isso” respondeu Rav Avner. “Uma vez quando me ensinavas a parashá Haazinu” prosseguiu “você falou no seu discurso que todos os judeus do mundo, todas as mitsvot, estavam incluídos na parashá Haazinu!!! Não acreditei. Como é possível que uma parashá tão pequena possa conter tudo isso sobre o mundo? Não pude acreditar e cheguei a essa conclusão: todos teus ensinamentos, Ramban, não são verdadeiros. E abandonei a Torá”. Ao ouvir isso o Ramban respondeu: “eu disse e digo outra vez. A parashá Haazinu inclui o mundo inteiro.” Avner se surpreendeu: “Se é assim então me mostra. Quero ver o meu nome na Parashá!” “Se essa é a tua vontade, eu vou te mostrar” disse o Ramban. Ele se virou para um canto para rezar para D’us e pedir ajuda a Ele. D’us ouviu a sua voz e o guiou e lhe mostrou o versículo que continha a alusão ao nome Rav Avner, em cada terceira letra de cada palavra no versículo 26 do capítulo XXXII do Deuteronômio: ‘Eu teria dito: Abandoná-lo-eis ao seu próprio destino, farei cessar, dentre os homens, a sua memória’ O Ramban voltou-se e disse: “A parashá Haazinu, capítulo XXXII versículo 26 menciona teu nome! Leia a terceira letra de cada palavra e você vai achar o teu nome escrito,                               Rav Avner...”


Ao encontrar o seu nome escrito, ele caiu sobre sua cabeça e lamentou e se arrependeu completamente fazendo tshuva e pedindo ao seu Rabino se seria possível fazer algo para reparar esta situação e o qué. O Ramban disse sim, é possível; faça o que está escrito no passuc: ‘apagarei a sua lembrança’. Esconda-se deste mundo e tua lembrança, apaga-a dentre as criaturas. O Ramban foi embora. Logo depois Rav Avner entrou num navio onde não havia nem marinheiros nem remadores, e deixou-se levar pelo vento realizando o que o versículo dizia: ‘E apagarei sua memória entre os homens’.


Esta história tem algo de maravilhoso e de chocante. Qual a razão da parashá mencionar o nome deste estudante , um judeu que havia se convertido como disse Rashi, com o prefixo de Rav e não disse apenas Avner. A Torá nos ensina com isso o poder grandioso da Tshuvá. Quando o judeu faz Tshuva completa e sincera, das profundezas do seu coração a Torá então o qualifica como um Rav. Mesmo se no passado ele estava em meio à situação descrita e mesmo se ainda é como um Rashá, a Torá nos diz que no final ele acabará fazendo Tshuva. Ele merece, portanto, o título de Rabai. A parashá Haazinu é chamada por muitos de Parashá Shuva nos 10 dias de Tshuva: assim se encontra a alusão à força maravilhosa e grandiosa da Tshuvá.


Iom Kipur é definido pela Tora como o “dia único no ano”. Na verdade, ele relaciona o ponto único do mundo, Olam, o Santo dos Santos, o ponto único do ano, shana, seu dia mais importante, e o ponto único do espírito humano, Nefech, o Grande Sacerdote, que conduz o serviço do dia sagrado. As iniciais desses três termos, Olam, Chana, Nefech, constituem a palavra Achan, fumaça. A Chassidut explica que “a fumaça de Iom Kipur constitui o telhado da Sukka”. Na verdade, Iom Kipur é a conclusão do processo de reconstrução da realeza divina iniciada em Roch Hachana. Esta vitória é celebrada pelo “Canto de Napoleão”, que concluiu, nos Chassidim, o ritual de Iom Kipur. O Admor Hazaken entendeu esta marcha de vitória cantada pelo exercito francês, no momento da conquista da Rússia e a introduziu na santidade. Ele fez esse canto proclamando, no final do dia sagrado, a vitória contra as forças do mal. A realeza de D’us atingindo assim a perfeição no final de Iom Kipur, pôde se revelar durante a festa de Sucot. De maneira mais precisa, Roch Hachana se revela em Sucot e Iom Kipur em Chemini Atseret e Sim’chat Tora. As cinco rezas de Iom Kipur correspondem as cinco partes da alma judaica. A Yehida, a parte mais elevada, mesmo estando na base do serviço de D’us desse dia, se revela mais particularmente durante a Neila. O pensamento Chassidico explica que não comemos e nem bebemos em Iom Kipur, por que este dia prefigura o mundo futuro no qual a revelação com o mundo material será modificada. Em seguida, atingindo o pico da elevação, convém introduzi-la na matéria do mundo. É por este motivo que os ‘Chassidim, no fim de Iom Kipur, tinham o costume de anunciar “E Yaakov avança em seu caminho”, o que significa que a elevação mais alta deveria ser em seguida conduzida a vida cotidiano.

O DIA MAIS SANTO

A véspera de Yom Kipur, Erev Iom Quipur começa com o costume das Caparot (expiações). Os homens tomam um galo e as mulheres uma galinha e fazem a oração “Bnei Adam”. (No Rio fazemos as caparot com um envelope de dinheiro). Depois, dizendo uma certa reza que contem palavras “para minha expiação”, dá-se volta com a ave em volta da sua cabeça. O sentido deste costume é despertar em nós um sincero arrependimento e sugerir que nossa sorte poderia ter sido semelhante à da ave, por causa dos nossos pecados, se D’us, em sua misericórdia, não nos perdoasse os pecados depois de nos lamentarmos sinceramente. Logo depois jogamos a ave debaixo da mesa. E a levamos ao Shochet para que distribua a carne ou seu valor aos pobres.

Este costume pode ser feito também com dinheiro.

No dia que precede Iom Quipur, fazemos refeições festivas para demonstrar nossa fé e confiança na misericórdia de D’us. Outro bonito costume deste dia é o dos pais abençoando seus filhos. Iom Quipur expia pecados contra D’us mas não por delitos entre o homem e seu próximo. É portanto importante, no dia anterior a Iom Quipur, desculpar-se e pedir perdão dos amigos, parentes e conhecidos, para livrar-se de qualquer sentimento negativo que possa ter surgido.

COL NIDREI

Ao chegar na sinagoga, tiramos o calçado e colocamos nosso Talit enquanto ainda é dia. No início do ofício, personalidades da comunidade tiram os rolos da Torá e se colocam ao lado do Chazan. O Chazan canta lentamente e três vezes a oração Col Nidrei. Ele a canta com esta melodia que conhecemos tão bem e todos os fiéis repetem em voa baixa e imperceptível ao ouvido cada palavra pronunciada pelo Chazan. A oração de Col Nidrei é seguida pelo ofício da noite com orações suplementares que só se dizem na noite de Iom Quipur. O ofício da manhã começa muito cedo. São proferidas as orações lentamente e com muita atenção. Para a leitura da Torá se tiram da arca dois rolos da Torá. No primeiro lemos o começo do capítulo Acharei Mot (“após a morte dos dois filhos de Aarão”). Existe uma crença de acordo com a qual aquele que derrama lágrimas sinceras por causa da terrível perda que Aarão sofreu com a morte dos seus dois filhos, não terá um luto parecido em sua vida. Esta capítulo fala do sacrifício de Iom Quipur e do ofício executado pelo sumo Sacerdote no santo Templo em Jerusalém. Após a leitura da Torá, a oração Izcor é feita em favor de todos os que nos eram queridos e que morreram. Aqueles que tem a felicidade de ter ainda pai e mãe deixam a sinagoga enquanto se faz esta oração, enquanto muitos são os que choram e derramam lágrimas recordando seus entes queridos. Muitos deles só podem ter remorsos ao pensar o quanto se afastaram da via tradicional tão cara aos seus pais e avós. Eles sabem bem que os pais teriam gostado de vê-los seguindo mais a tradição e a religião judia e tomam a resolução firme de melhorar no futuro. Depois vem o ofício de Mussaf que começa pela emocionante oração Hineni-Heani, que o Chazan profere. (Eis-me, pobre homem, desprovido de qualquer boa ação”). A oração de Mussaf do dia de Iom Quipur contém um trecho que foi pronunciado pelo Sumo Sacerdote que oficiava no Templo de Jerusalém. Além do mais, ela contém também uma confissão de pecados que o Sumo Sacerdote fazia em nome de todo o povo de Israel. Era um espetáculo inesquecível de ver, todo vestido de branco, saindo do santuário cujo acesso só era permitido para ele uma vez por ano, no dia de Iom Quipur. Em geral, há um pequeno intervalo de alguns minutos entre Mussaf e Minchá. O ofício de Minchá se caracteriza pela leitura da Torá e particularmente pela leitura do Maftir, quando lemos o célebre livro de Jonas e vemos como a grande cidade de Nínive foi salva pelo arrependimento antes de ser tarde demais.

Uma ligação eterna - Embora estes Dias de Grande Temor, como são freqüentemente chamados, são solenes, eles não são tristes. De fato, Iom Quipur é, sutilmente, um dos dias mais felizes do ano. Em Iom Quipur recebemos o que é talvez, o presente mais sublime de D’us: Seu perdão. Quando uma pessoa perdoa outra, é por causa de um profundo sentido de amizade e amor que anula o efeito de qualquer coisa errada que ela tenha feito. De forma similar, o perdão de D’us é uma expressão do Seu amor eterno, incondicional. Embora tenhamos transgredido Seu desejo, nossa essência - a alma - permanece divina e pura. Iom Quipur é o dia em que a cada ano D’us revela mais claramente que nossa essência e Sua essência são uma. Além do mais, no nível da alma, o povo judeu é todo verdadeiramente igual e indivisível. Quanto mais plenamente demostramos nossa unidade essencial, agindo com amor e amizade entre nós, mais plenamente o amor de D’us nos será revelado.

O Serviço de Iom Quipur - Uma das partes mais emocionantes do serviço de Iom Quipur é a narração detalhada do Serviço do Sumo Sacerdote. Durante este Serviço, o dia mais santo do ano, o homem mais santo do mundo deveria entrar no lugar mais santo da terra para rezar pelo seu povo. Quando emergia do Santo dos Santos do Templo, diz a liturgia que ele estava radiante, “como a irradiação do arco íris ... como uma rosa num jardim de delícias... como a estrela da manhã.”

NEILÁ - Minchá é seguido pelo ofício de Neilá, o ponto culminante do dia de Iom Quipur. A arca fica aberta durante todo o tempo que o ofício de Neilá é feito. Este termina com exclamações “Shmá Israel” e “Baruch Shem”, como prova da nossa lealdade e da nossa determinação de morrer, se preciso for, por nossa fés, como o fizeram judeus mártires no passado. Em conclusão, os fiéis fazem a declaração: “D’us é o único D’us”, declaração que foi pronunciada a primeira vez pelo profeta Eli, ao pé do monte Carmel. O último versículo é repetido sete vezes. Depois se toca o Shofar (uma Tequiá longa) e este Dia de Festa (como o Seder) termina com a oração: “O ano próximo em Jerusalém!”

Com Maariv e a Havdalá começa um pequeno intervalo de quatro dias que separa Iom Quipur de sucot. Após o ofício de Maariv todo mundo se deseja uma boa festa e cada um está feliz e convencido que D’us aceitou nossas orações e nos inscreveu no “Livro da vida” para nos outorgar um ano bom.

Se a lua está visível, temos o costume de fazer a oração “Quidush Levaná” sem se lamentar por prolongar assim alguns minutos nosso jejum.

Terminado o jejum e depois de ter comido, é costume fazer os primeiros preparativos para a construção da Sucá: é um ato simbólico que prova o quanto estamos impacientes para fazer uma mitsvá.

A AFRONTA- Escutamos a história de um grande e santo rabino a quem um judeu fez um dia a seguinte pergunta: “Caro Rabino, porque esse ar tão doente? O senhor não está se sentindo bem?”

“Ah não” respondeu o rabino, “esta não é a razão mas é que uma certa pessoa me cobriu de vergonha”.

“Como pode ser possível uma coisa dessas? Me diga quem pode ousar uma coisa semelhante? Me diga quem é?”

A resposta do rabino foi que não podia divulgar o nome, Mas o judeu insistiu e perguntou:

“Diga, caro rabino, o que o senhor fez a esta pessoa quando ela o ofuscou?”

- “Eu a beijei”, foi a surpreendente resposta.

O judeu não pode evitar perguntar uma vez mais qual era o nome da pessoa que o rabino tinha beijado em recompensa do seu insulto. “Foi o rabino Eliahu Hacohen, o autor do livro “Shevet Mussar”. Foi ele que me fez enrubescer. Eu me interessei pelo seu livro e ao estudá-lo me dei conta que não tinha nem começado a servir bem a D’us e que eu não era digno de ser o descendente de Avraham, Itschac e Iaacov. Fiquei confuso e envergonhado.” “Entendi a verdade de tudo o que ele tinha escrito e em reconhecimento e gratidão por ter me feito ver a verdade, peguei o livro e o beijei.”

Contou o Rebe:


Quando meu Melamed (professor) me ensinou Haazinu ele quis me ensinar o mais importante, o essencial da parashá, e me contou a seguinte história:

“O Rav Moshé Ben Nachman, Haramban, era o professor de Rav Avner. Num dia desses, Rav Avner abandonou o caminho do judaísmo e se converteu para os outros. Ele obteve muito sucesso entre os não judeus e se tornou uma pessoa célebre e até um ministro considerado no seu país. Ele alcançou a cúpula entre os goim. Para mostrar o seu ódio pelos judeus ele enviou um mensageiro para forçar o Ramban a ir vê-lo no meio do dia, em pleno Quipur. Quando este chegou, o Rav Avner mandou matar um porco na sua frente, cozinhou-o e o comeu nesse dia de Quipur, sob o olhar do seu mestre e rabino. O Ramban ficou profundamente decepcionado e triste e perguntou ao seu aluno: “como pudeste chegar a isso, a te converter?” “Foi por sua causa. Seus ensinamentos me trouxeram a isso” respondeu Rav Avner. “Uma vez quando me ensinavas a parashá Haazinu” prosseguiu “você falou no seu discurso que todos os judeus do mundo, todas as mitsvot, estavam incluídos na parashá Haazinu!!! Não acreditei. Como é possível que uma parashá tão pequena possa conter tudo isso sobre o mundo? Não pude acreditar e cheguei a essa conclusão: todos teus ensinamentos, Ramban, não são verdadeiros. E abandonei a Torá”. Ao ouvir isso o Ramban respondeu: “eu disse e digo outra vez. A parashá Haazinu inclui o mundo inteiro.” Avner se surpreendeu: “Se é assim então me mostra. Quero ver o meu nome na Parashá!” “Se essa é a tua vontade, eu vou te mostrar” disse o Ramban. Ele se virou para um canto para rezar para D’us e pedir ajuda a Ele. D’us ouviu a sua voz e o guiou e lhe mostrou o versículo que continha a alusão ao nome Rav Avner, em cada terceira letra de cada palavra no versículo 26 do capítulo XXXII do Deuteronômio: ‘Eu teria dito: Abandoná-lo-eis ao seu próprio destino, farei cessar, dentre os homens, a sua memória’ O Ramban voltou-se e disse: “A parashá Haazinu, capítulo XXXII versículo 26 menciona teu nome! Leia a terceira letra de cada palavra e você vai achar o teu nome escrito,                                             Rav Avner...”


Ao encontrar o seu nome escrito, ele caiu sobre sua cabeça e lamentou e se arrependeu completamente fazendo tshuva e pedindo ao seu Rabino se seria possível fazer algo para reparar esta situação e o qué. O Ramban disse sim, é possível; faça o que está escrito no passuc: ‘apagarei a sua lembrança’. Esconda-se deste mundo e tua lembrança, apaga-a dentre as criaturas. O Ramban foi embora. Logo depois Rav Avner entrou num navio onde não havia nem marinheiros nem remadores, e deixou-se levar pelo vento realizando o que o versículo dizia: ‘E apagarei sua memória entre os homens’.


Esta história tem algo de maravilhoso e de chocante. Qual a razão da parashá mencionar o nome deste estudante , um judeu que havia se convertido como disse Rashi, com o prefixo de Rav e não disse apenas Avner. A Torá nos ensina com isso o poder grandioso da Tshuvá. Quando o judeu faz Tshuva completa e sincera, das profundezas do seu coração a Torá então o qualifica como um Rav. Mesmo se no passado ele estava em meio à situação descrita e mesmo se ainda é como um Rashá, a Torá nos diz que no final ele acabará fazendo Tshuva. Ele merece, portanto, o título de Rabai. A parashá Haazinu é chamada por muitos de Parashá Shuva nos 10 dias de Tshuva: assim se encontra a alusão à força maravilhosa e grandiosa da Tshuvá.

ROSH HASHANÁ EM BERDITCHEV

Era o primeiro dia de Rosh Hashaná na sinagoga do rabino de Berditchev, Rabi Levi Itschac.

A sinagoga estava repleta. O rabino de Berditshev estava ele próprio perto do Amud, dirigindo as orações solenes da congregação.

“Nós todos proclamamos Tua Majestade, Oh D’us que nos está julgando...”

A doce e trêmula voz do rabino impressionou profundamente cada um dos fiéis presentes.

Na parte reservada às mulheres, ouviram-se soluços, o bastante fortes para emocionarem a todos aqueles que lá estavam.

“A Ele, que escruta os corações no Dia do Julgamento.”

Ao pronunciar estas palavras, o rabino não pode mais segurar as suas lágrimas e o coração de cada um estava cheio de remorsos e de lamentações. Cada um se via de pé diante do Trono de Glória, presidido pelo Juiz do Universo, para fazer justiça e pronunciar o veredito. “Tenha piedade de nós e faça-nos graça”, este foi o grito inaudível de cada um, vindo das profundezas do coração.

O rabino proferiu a oração solene e, linha após linha, ela era repetida paulatinamente pelos fiéis. Quando ele chegou na frase: “A Ele que adquire Seus servidores ao julgá-los...”, o rabino parou subitamente, não podendo mais pronunciar uma palavra. Seu “Talit”, que ele tinha colocado sobre a cabeça, caiu sobre seus ombros, revelando assim sua figura pálida. Seus olhos estavam fechados e ele parecia em êxtase.

Um tremor atravessou a congregação. Alguma coisa não estava indo bem. Será que a situação tinha ficado crítica na Corte celestial? Todo mundo supôs que os acontecimentos não eram favoráveis para aqueles que tinham implorado o perdão de D’us. O procurador estava certamente a ponto de ganhar...Apenas um suplemento de orações e de penitencia poderiam mudar o veredito...Os fiéis detiveram sua respiração e aguardaram com o coração palpitando.

Alguns instantes mais tarde, o rabino voltou a ele. Sua figura tinha mudado de cor e refletia agora a alegria. Com um voz trêmula de êxtase e de triunfo ele recitou: “A Ele que adquire Seus servidores ao julgá-los...”.

Após o ofício, quando o rabino sentou na mesa rodeado por seus adeptos mais fervorosos, um deles se armou de coragem e lhe perguntou a razão da interrupção durante a oração e o porque exatamente no final desta frase. E o rabino começou a contar:

“Eu estava subindo e chegava nas portas do Céu, quando vi Satan pesadamente carregado. Esta visão me encheu de terror porque entendi que o diabo esta levando uma carga de pecados para derramá-los sobre a Balança da Justiça na Corte celestial. Subitamente Satan depositou a bolsa no chão e se precipitou em direção à terra - sem dúvida para recolher um outro pecado cometido por qualquer judeu infeliz, no mesmo dia da festa. Aproximei-me do saco e comecei a examinar seu conteúdo. Ele estava entupido com todo tipo de pecados: conversa fiada e maledicência, ódio injustificado, ciúme, tempo perdido que deveria ter sido passado estudando Torá, orações proferidas sem sinceridade, etc..., pecados pequenos e grandes. Ao me perguntar o que fazer e como agir, eu sabia que neste instante mesmo, aquele com os milhares de olhos tinha percebido um outro pecado e ia colocá-lo na sua bolsa. “As coisas estão mais para ruins”, eu me disse. E comecei a tirar da bolsa um pecado atrás do outro para examiná-los de mais perto. Percebi que quase todos os pecados tinham sido cometidos sem querer, de boa fé, por pura ignorância. Nenhum judeu era verdadeiramente mau, mas as circunstâncias devidas ao exílio, à pobreza, e aos rigores da vida endurecem às vezes seu coração, deixam seus nervos tensos, provocam pequenos ciúmes, etc.

E coisa estranha, ao examinar os pecados e ao procurar sua causa verdadeira, parecia que eles estavam indo embora, desaparecendo um por um, até que a bolsa ficou completamente vazia. A bolsa ficou mole, ao estar vazia. No instante seguinte, ouvi um grito horrível. Satan tendo voltado e tendo descoberto o que eu tinha feito, estava irado e berrava: “Ladrão! o que você fez com meus pecados?”. Ele segurou a minha barba e as minhas “Peot”, aos gritos: “Ladrão, o ano todo trabalhei para juntar esses preciosos pecados e agora você os roubou de mim. Você vai pagar em dobro.”

Como posso te pagar”, respondi. “Meus pecados podem talvez ser muitos mas não são tão numeroso quanto esses”.

“Você conhece a Lei”, explicou o outro. “Aquele que rouba deve pagar o dobro e se não pode fazê-lo. ele será vendido como escravo. Você é agora meu escravo. Vem comigo”.

O pensamento de ser o escravo de Satan me deixou perplexo e quase desmaiei.

Finalmente, ele me levou diante do Assento de Glória e expôs seus agravos diante do Juiz do Universo.

Após escutar as queixas de Satan, D’us bendito seja Ele disse: “Eu o comprarei como Eu prometi pelo meu profeta Isaias (46:4): Até a vossa velhice, Eu serei o mesmo: até a vossa branca velhice, Eu os carregarei. Eu já o fiz e eu continuarei a sustentá-los. Eu vos levarei e Eu vos salvarei”.

Foi neste momento que voltei a mim. concluiu o rabino de Berditchev. Agora, entendo o significado das palavras: “A Ele que adquire Seus servidores ao julgá-los”. Nós somos os servidores de D’us e se nós somos servidores leais, D’us nos protege e tem piedade de nós. Sejamos leais servidores de D’us e não seremos escravos e ao comportar-nos desta maneira, o Eterno nos inscreverá no Livro da Vida, para um feliz ano novo.

CHANA

No primeiro dia de Rosh Hashaná, lemos na Torá o nascimento de Itschac: Sua mãe, Sara, não podia engravidar até que o Eterno ouviu as suas preces e lhe deu de presente um filho. A Haftará que, em geral, trata de um assunto próximo ao do capítulo correspondente da Torá, nos conta o nascimento do profeta Samuel. Chana, a mãe de Samuel, ficou sem filhos longos anos. Finalmente, D’us atendeu as suas orações e Samuel nasceu. Esta história nos demostra qual a força que uma oração pode exercer e a aproximação que ela cria entre o homem e D’us.

Chana foi uma das sete mulheres à quem D’us deu o poder de profetizar, porque tivemos ao todo sete profetizas e quarenta e oito profetas, cujas profecias são mencionadas no Tanach.

A história do primeiro capítulo do livro de Samuel, que lemos no dia de Rosh Hashaná, nos apresenta primeiro o personagem de Elcaná, o marido de Chana. Ele era um Levita (pertencia à tribo de Levi), e morava em Ramataim Tsofim, na montanha de Efraim. Elcaná era um homem de um caráter nobre e muito piedoso. Ele precisou constatar com lamentações que muitos judeus se afastavam de D’us. Ele decidiu, então, interessá-los ao centro espiritual de Shiló onde Eliahu, o sumo Sacerdote, ocupava nesta época a função de Juiz. Seguindo a ordem da Torá, Elcaná se dirigia em peregrinação para Shiló para cada uma das três festas. Ele e sua família passavam as festas na atmosfera religiosa da Cidade Santa onde se encontrava o santuário. Muitos seguiam seu exemplo e se reuniam a ele e à sua família quando os viam deixando a cidade com um ar de festa. Foi graças à influência de Elcaná que laços mais estreitos se desenvolveram entre o povo judeu e seu centro espitirual Shiló.

Chana era uma das duas mulheres de Elcaná. Ela era estéril. Apesar de não dizer nada, ela sofria muito com este estado de coisas e era obrigada a suportar afrontas de Penina, a segunda esposa, que tinha mais sorte que ela porque tinha filhos.

Um dia, durante uma das peregrinações anuais a Shiló, Chana se encontrava no Santuário, implorando a D’us e derramando muitas lágrimas. Ela pedia a D’us para abençoá-la com um filho, prometendo consagrar toda a vida deste filho ao Eterno. Ela estava falando com ela mesma, inclinada e ligeiramente titubeante. Eliahu, vendo-a, pensou que ela estava ébria. Ele a recriminou por ter entrado no Santuário em estado de ebriedade; mas Chana respondeu com dignidade: “não, meu senhor. Sou uma mulher cujo coração está aflito; não bebi nem vinho nem licor forte, mas abro minha alma ao Eterno”. Eliahu, dando-se conta da grande piedade e da imensa pena desta mulher, respondeu-lhe: “Vai em paz e que D’us de Israel outorgue o pedido que Lhe dirigiste”. Chama agradeceu amavelmente e foi embora feliz, porque sentia que sua oração tinha sido acolhida favoravelmente.

Algum tempo depois, ela deu à luz um filho que denominou Samuel, que quer dizer: Eu o pedi ao Eterno. A alegria de Chama era sem limites. Os primeiros anos ela guardou a criança em casa mas depois, por causa da promessa que tinha feito, o levou a Shiló, oferecendo na mesma oportunidade um sacrifício de gratidão a D’us. Confiando seu filho à guarda do Sumo Sacerdote, Eliahu, Chana disse: “Meu Senhor...Eu sou aquela mulher que estava em pé perto de ti para rezar ao Eterno. É por este filho que eu rezava. O Eterno acordou o meu pedido, que Lhe havia dirigido”. Ela lhe contou o voto que tinha feito, deixando seu filho querido sob a proteção de Eliahu para que Samuel fosse criado na atmosfera religiosa do santuário. Vocês pensam que talvez Chana estava triste por deixar seu filho, por quem tinha orado tanto durante longos anos. Pelo contrário, ela estava cheia de alegria, quando pronunciou uma oração na qual dizia: “O Eterno faz meu coração vibrar de alegria”.

Lendo as palavras inspiradas da profetiza, entendemos logo o quanto convêm para o Dia do Julgamento, Rosh Hashaná, quando D’us decide a sorte de cada pessoa, daqueles que viverão, daqueles que serão ricos, daqueles que serão honrados, etc.

Nossos Sábios explicam que a profetiza Chana nos ensinou muitas coisas importantes. Uma delas é fazer as orações murmuradas. Como se sabe, temos o “silencioso” Shmoné Esré, que é repetido logo depois em voz alta pelo Chazan (quando o ofício acontece na sinagoga). O “silencioso” Shmoné Esré que dizemos em voz muito baixa, apenas audível, da maneira que a oração foi pronunciada por Chana, é a parte mais importante da nossa reza. A melhor oração é aquela pronunciada em murmúrio, quando nosso coração está pleno e que estamos fascinados pela presença do Todo Poderoso.

O CHAMADO DO SHOFAR

O Baal Shem Tov dizia que o som do Shofar é como o chamado emocionante de um pequeno príncipe que se extraviou na floresta e que grita: “Pai, socorro, me salva, pai.”

Viver com a Parashá:

Rosh Hashaná:

Um dos aspectos mais importantes de Rosh Hashaná representa o tempo da Coroação do Ser Supremo, Rei de Israel e do universo. O caráter deste dia é marcado por esta súplica que formulamos do fundo do coração: “Reina, Oh Eterno, sobre todo o universo!”

Uma requisição assim implica que estejamos prontos para colocar-nos em um nível apropriado para a Coroação Divina. Quer dizer um estado de submissão total ao Rei, tal que a própria essência do indivíduo e tudo o que ele possui pertence ao Rei sozinho. Este é o verdadeiro conceito de “aceitação do jugo da Realeza de D’us”, que deve se expressar em cada detalhe da vida quotidiana.

 SHANA TOVA UMETUKA, QUE SEJAM INSCRITOS NO LIVRO DA VIDA, COM SAUDE FISICA, MORAL E ESPIRITUAL E COM PROSPERIDADE MARTERIAL E ESPIRITUAL!!!! Possa D’us nos enviar um ano novo bom, doce, material e espiritualmente, e que o bem seja visível, revelado e real.