Quinta-feira 9/09, jejum inicia 4h e termia 18h23

Jejum de Guedalia

9 de set. de 2021

o jejum de Guedalia que comemora o assassinato trágico de um grande chefe do nosso povo durante o exílio da Babilônia

A História de Guedalia - Nabucodonosor, rei da Babilônia, tinha atingido seu objetivo, pois ele tinha submetido o reino de Juda, destruído sua capital, Jerusalém, assim como o santuário mais sagrado, o Beth-Hamidkdache (Templo). Ele tinha matado ou mandado prender a maioria dos membros da família real e os nobres do país. A aristocracia do povo judeu, inclusive os sacerdotes e os importantes funcionários civis e militares foram detidos e exilados na Babilônia. Muitos deles foram executados impiedosamente em Ribla. Juda tinha sido vencido e chorava a flor de suajuventude. Entretanto, Nabucodonosor não queria fazer com que o país de Juda se tornasse um deserto. Ele permitia que as classes menos ricas ficassem no país para trabalhar na lavoura e cultivar os vinhedos. Ele tinha nomeado Guedalia, o filho de Ahikam, governador do país de Juda. O profeta Jeremias pôde escolher entre ficar no país de Juda ou ir para a Babilônia como convidado de honra do palácio real da babilônia. Ele preferiu ficar com seus irmãos na Terra Santa. Jeremias se estabeleceu em Mitzpa, não muito distante de Jerusalém. Nesta cidade, em Mitzpa, se encontrava também a residência de Guedalia. O profeta ofereceu para o Governador todo seu apoio que ele aceitou com reconhecimento. Foi assim que Mitzpa se tornou o centro espiritual do povo judeu.

Guedalia era um homem sábio, amável e modesto. Ele fez o melhor que pôde para incentivar o povo a cultivar os campos e os vinhedos, criando assim as fundações de uma segurança relativa para os judeus que estavam no seu país. Sob a inteligente administração de Guedalia, a comunidade judaica se desenvolvia e florescia. O nome desse governador foi logo reconhecido no exterior. Muitos judeus que tinham se salvado em países limítrofes durante a guerra, foram atraídos pelas boas notícias que relatavam o restabelecimento e o renouveau (renascimento) da comunidade judaica em Juda. Eles se encontravam com Guedalia, em Mitzpa que os acolhia calorosamente. O governador judeu avisava aos seus correligionários que eles deveriam ser leais com a Babilônia prometendo paz e segurança para eles. Seu conselho foi aceito com boa vontade. A guarnição de soldados da Babilônia que se estabelecia no país não fazia mal aos judeus. Pelo contrário, ela os protegia dos inimigos vizinhos. A jovem comunidade judaica estava na boa via: ela se restabelecia e se desenvolvia novamente até ser subitamente atacada por uma frouxa traição e derramamento de sangue, infelizmente, por causa de um delator judeu invejoso e ávido de poder...

Dentre os refugiados judeus que tinham se juntado com Guedalia, em Mitzpa, estava Ismael, filho de Natania, descendente de Zedekia, o último rei de Juda. Ismael era um homem ambicioso que não recuava diante de nada para atingir seu objetivo. Ainda mais, as honras e o sucesso de Guedalia despertaram nele uma inveja sem limites. Ismael, que começava a conspirar contra Guedalia encontrou como aliado um grande inimigo dos judeus, o rei de Amom que via com uma apreensão crescente o desenvolvimento da jovem comunidade judaica.

Johanan, filho de Coré, que era um oficial leal do serviço de Guedalia, sentiu que um complô estava sendo armado, e tentou mostrar ao governador o perigo que o ameaçava. Mas, Guedalia, sendo uma pessoa franca e honesta, se recusava em admitir a possibilidade de uma traição como esta, e quando Johanan se ofereceu para matar Ismael antes que este pudesse executar seu plano maléfico, o governador rejeitou a proposta com indignação.

Ismael esperava o momento certo que infelizmente apareceu rapidamente. Pois, no dia do ano novo, ele foi convidado pelo próprio governador, Guedalia, para participar de uma festa em Mitzpa. Ele chegou no banquete acompanhado de dez dos seus partidários que não demoraram muito para atacar Guedalia com uma espada e a mata-lo. Depois de ter matado seu hospedeiro, eles começaram um massacre horrível que teve como vítimas os homens de confiança de Guedalia assim como a pequena guarnição de soldados caldeus que estava estabelecida em Mitzpa. Depois, os assassinos, levando com eles alguns prisioneiros, deixaram Mitzpa e foram em direção de Amom.

Johanan e alguns de seus corajosos companheiros tinham escapado dessa matança, pois eles não estavam em Mitzpa nesta época. Quando souberam dos dolorosos eventos, Johanan reuniu um pequeno exército que perseguiu o assassino e seus cúmplices, alcançando-os perto de Gibeon, no distrito da tribo de Benjamim. Eles liberaram os prisioneiros, mas Ismael e seu bando conseguiram se salvar atravessando a fronteira do país de Amom.

A situação dos judeus era agora penosa. Eles temiam que o assassinato de Guedalia e o aniquilamento da guarnição de soldados da Babilônia despertassem a fúria do rei Nabucodonosor contra os judeus que ficaram em Juda. Eles se perguntavam para onde deveriam ir e eles pensaram que o único lugar de refúgio seria o Egito, lugar onde o rei da Babilônia não tinha ainda posto suas mãos. Portanto eles odiavam esse país e sentiam horror, mesmo que já tivessem passados novecentos anos desde a escravidão de seus antepassados. Mas, o desespero e o medo eram tanto que eles decidiram ir para lá. Eles seguiram seu caminho em direção ao sul e pararam em Beth-Lehem (Belém) para pedir conselho a Jeremias. Este profeta leal, que tinha divido todas suas infelicidades e tinha se revelado um verdadeiro amigo, vivia sempre entre eles. Esses judeus o procuraram então prometendo seguir seus conselhos qualquer que fossem.

Durante dez dias, Jeremias rezou por D´us e finalmente recebeu uma mensagem divina que ele transmitiu imediatamente para o povo:

“Assim fala o Eterno, o D´us de Israel... se vocês quiserem ficar nesse país, eu vos acomodarei e não vos destruirei, eu vos plantarei, não vos arrancarei... Não temam o rei da Babilônia, o qual vocês têm medo... pois eu estou com vocês para vos salvar... Mas se vocês responderem: nós não ficaremos neste país, se vocês não obedecerem a voz do Eterno, e que vocês digam: nós queremos ir para o Egito.... vocês serão atingidos, no Egito, pela espada que vocês temem, e a fome que preocupa vocês, atingirá vocês até no Egito e vocês morrerão... O Eterno declarou para vocês, ó vocês, os restos de Juda: Não vão para o Egito! Fiquem sabendo que eu estou avisando solenemente hoje.”

As palavras do profeta caíram no ouvido de um surdo. Por mais absurdo que pareça, o povo já tinha se resolvido e esperava que Jeremias somente confirmasse exatamente o contrário de sua profecia! Apesar da promessa solene que eles tinham feito em fazer tudo o que o profeta aconselhava, eles acusaram Jeremias de armar um complô com seu discípulo Baruch, filho de Neria, para entregá-los aos caldeus. Em seguida, eles continuaram o caminho em direção ao Egito, forçando Jeremias e Baruch a acompanhá-los.

Eles pararam na fronteira egípcia e o profeta aproveitou esta ocasião para dizer aos seus compatriotas novamente que a segurança que eles estão procurando no Egito não duraria muito tempo. Ele predisse a conquista e a destruição do Egito num futuro próximo por Nabucodonosor, e mostrou para eles o perigo ao se envolver com os egípcios, adoradores de falsos deuses. Ele explicou também que se eles voltassem para a idolatria que tinha sido a causa de todas as suas infelicidades no passado, eles teriam grandes problemas (estariam nas mãos do azar).

Infelizmente, as advertências e os pedidos de Jeremias foram em vão. Os refugiados judeus se estabeleceram no Egito e não demoraram em deixar sua fé em favor da idolatria egípcia.

Alguns anos mais tarde, uma revolução começou no Egito durante a qual o faraó Hophra foi assassinado. Nabucodonosor aproveitou esta situação para invadir e destruir o país. A maioria dos refugiados judeus morreu nesta guerra. Foi assim que a triste predição de Jeremias se realizou até os mínimos detalhes.

Não sabemos com exatidão aonde e quando o velho profeta morreu. Achamos que ele e seu fiel discípulo, Baruch tinham passado os últimos anos de sua vida entre seus irmãos exilados na Babilônia.

Em lembrança do assassinato de Guedalia e dos efeitos trágicos que este triste evento teve sobre os judeus desta época, que seguiu a destruição do Templo, nós fazemos jejum no terceiro dia do mês de Tishri. Este dia é chamado de “Jejum de Guedalia”.

Publicação  RABINADO DO RIO DE JANEIRORabino Chefe do Rio Yaacov Israel Blumenfeld Chlita Tel: 2256 3587